O que é Nível de Desenvolvimento, ND ou LOD e qual o seu impacto no BIM?

O sistema LOD (Level of Development) foi concebido de maneira genérica e padronizado pelo American Institute of Architects (AIA), atribuindo assim não apenas a importância das questões geométricas, mas também a associação das características que envolvem um componente BIM. 

A origem do LOD  

Inicialmente, o conceito de LOD surgiu como Nível de Detalhamento (Level of Detail), sempre com foco no detalhamento geométrico dos elementos, mas foi substituído posteriormente por Nível de Desenvolvimento (Level of Development), pois notou-se que a informação e sua confiabilidade eram pontos relevantes para o modelo BIM.  

Como os dois conceitos têm a sigla LOD (ND em português), existe uma confusão das diferenças entre os conceitos e quando cada um está sendo utilizado. A geometria é apenas parte da informação do elemento, mas não necessariamente o mais importante em determinada etapa do projeto. 

Pensando que o modelo BIM apresenta informações e representações gráficas de um projeto de construção na forma de elementos tridimensionais (por exemplo: janela, portas, paredes, etc.), o esquema LOD do AIA foi desenvolvido para fornecer, de forma mais sistemática, maior confiança em um elemento modelado. Dessa maneira, ocorre a geração de projetos mais detalhados. 

O BIM Fórum (atualmente BuildingSmart) utilizou o esquema de padronização do AIA como base para desenvolver uma classificação ainda mais profunda, e que foi incorporada à padronização BIM Norte Americana. Essas diretrizes, porém, não ditam quais os níveis de desenvolvimento para cada etapa do projeto, sendo isto uma responsabilidade da equipe de projeto. 

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Imagem 1 – Criação do LOD | Fontes: AIA, One Stop AEC e Buildingsmart.

LOD vai além da geometria 

Como explicado no capítulo anterior, o LOD ou ND define o quão detalhadas as informações de um elemento BIM devem estar no modelo. 

Antes, o LOD se referia apenas às informações geométricas do modelo, ou seja, tudo aquilo que estava no âmbito gráfico dos elementos.  

Hoje sabemos que as informações são muito mais importantes do que simplesmente pensar na geometria dos elementos.  

No momento da construção não é necessário saber a aparência de um elemento para colocá-lo no edifício, nem saber como o objeto se parece, mas é importante saber qual seu fabricante e o número do modelo.  

É preciso saber as suas dimensões para compatibilizá-lo com os elementos ao seu redor. Dessa forma é possível definir que nível de informações será padronizado para cada etapa de projeto e determinar um nível de confiabilidade para esses dados.  

Assim, pode-se afirmar que o LOD mede o nível de maturidade ou de informações de um projeto. 

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Imagem 2 – Modelo 3D em BIM. | Fonte: LOD – Gallery of Chetam’s School of Music | Archdaily.

LOD = LOG + LOI 

Após todos os conceitos anteriores, podemos afirmar que o LOD é a somatória do LOG com o LOI. Mas o que são essas siglas? Para entender, observe o exemplo do kiwi. Ele é dividido em: 

LOG – Nível de Geometria 

A parte externa, a parte visível do kiwi, é o LOG ou Nível de Geometria (também chamado de Nível de Detalhe – ND). Ela nos diz algo sobre a aparência (a geometria) do elemento. O LOG em um modelo BIM expressa o nível de detalhe geométrico.  

LOI – Nível de Informação  

A parte invisível e não geométrica é o LOI ou Nível de Informação. No exemplo do kiwi será o sabor, a cor, o cheiro, o preço, a data de validade, etc.  

Nos modelos BIM, a LOI representa as informações técnicas não geométricas de um modelo. O conteúdo com um alto LOI, por exemplo, contém informações específicas do fabricante, como preço e informações de estoque, etc. 

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Imagem 3 – LOD = LOG + LOI. | Fonte:  Adaptado de Trimble.

Classificações de Nível de Desenvolvimento, ND ou LOD

Existem algumas classificações de LOD. A mais usada foi formulada pelo AIA e classifica o LOD em estágios.  

Esses estágios vão representar desde a fase de pré-projeto, passando pelo projeto concluído e detalhado para a geração da documentação e finalizando na fase de análise de como a edificação foi construída (As Built). São eles:  

LOD 0 – Concepção do projeto

Trata-se de um estudo inicial para o levantamento de dados, ou seja, neste momento é estabelecido o programa de necessidades e é feito um esboço do projeto que permite a análise de viabilidade; 

LOD 100 – Estudo Preliminar 

Essa é a classificação mais básica do LOD, considerada a definição do projeto onde o modelo irá incluir elementos do projeto que são representados como um estudo de massa.  

Esses elementos podem ser representados graficamente por meio de símbolos, linhas ou volumes genéricos.  

Em termos mais simples, o LOD 100 representa um nível conceitual. Equivale a representação gráfica quase sem detalhes ou informações além da forma da construção, detalhes do terreno e outras informações preliminares; 

LOD 200 – Anteprojeto 

Etapa ao qual os elementos conceituais são transformados em elementos genéricos com representação das suas dimensões básicas; 

LOD 300 – Projeto Legal 

É uma evolução do 200 e já temos o anteprojeto aprovado, então começa-se a fazer o detalhamento dos projetos executivos, estruturais, arquitetônicos, memórias de cálculo, maquetes e do orçamento.  

Os elementos possuem geometrias com dimensões, formas, quantidade e localização que refletem as condições reais do empreendimento. Ao fim faz-se a compatibilização de todas essas etapas para garantir que não há erros. Outras propriedades de informações podem estar vinculadas ao elemento; 

LOD 350 – Projeto Básico 

Os elementos são desenvolvidos e aprimorados, tendo como objetivo a construção.  

Nesta etapa todos os componentes são claramente consolidados, para que haja o intercâmbio de informações no projeto entre todos envolvidos.  

O projeto resultante terá todas as suas interfaces resolvidas. Permite a avaliação de custos, métodos construtivos e prazo de execução; 

LOD 400 – Projeto Executivo 

É considerado um nível alto de desenvolvimento e nele já é trabalhado planejamento, cronograma físico-financeiro, documentação e a execução.  

Os elementos são detalhados com o objetivo de gerar um conjunto de informações que geram a caracterização nas obras/serviços a serem executados. A todos os elementos da construção são incorporados os detalhes necessários para construção.  

O resultado é um conjunto de informações técnicas claras e objetivas sobre todos os elementos, sistemas e componentes. Além disso, todas as informações necessárias para a fabricação do elemento devem estar disponíveis. 

LOD 500 – Pós-obra – Obra concluída 

Corresponde à etapa do modelo como será construído, quando todos os custos, fornecedores e especificações para cada material já devem estar inseridos no projeto.  

É feita uma representação fiel e realista dos elementos ou sistemas de todo o projeto.  

Os elementos refletem o modelo conforme construído em termos de dimensões, forma, localização, quantidade, posição, dados técnicos e fabricante.  

Nesta etapa é encerrada a fase de gestão de projeto e se inicia a gestão de obra. As informações devem estar atualizadas com o que foi realmente executado in loco, ou seja, nesse nível estamos tratando do “as built” 

Essas informações serão de extrema utilidade para garantir que a edificação atinja a sua vida útil de projeto. 

Existem outros LOD’s? 

A resposta é sim! 

A classificação dos LOD’s tem grandes intervalos para que seja possível usar classificações intermediárias. 

A flexibilidade da numeração existe para que os envolvidos no projeto consigam intercalar elementos em LOD’s intermediários. Essa definição de LOD’s adicionais pode ser crucial em algumas circunstâncias, principalmente por razões contratuais. 

Vale lembrar que o padrão sugerido por todos as instituições mencionadas anteriormente é o mais indicado, mas a criação de LOD’s personalizados existe. 

Utilizando o LOD 

A melhor forma de se começar a desenvolver uma tabela LOD é partir de alguma das tabelas de modelo mencionadas neste post, por serem fontes completas para se extrair informações e entender sobre aplicação do LOD.  

As tabelas não precisam ser muito complexas no início, basta conter as informações necessárias para aquele projeto específico. Várias tabelas LOD podem ser desenvolvidas se necessário. 

Outros níveis de LOD podem ser criados além dos padrões citados neste artigo. O formato do LOD foi projetado para que seja possível inserir outros níveis entre os níveis preexistentes. Contudo, é imprescindível definir o que cada um deles significam para que fique claro quais informações são necessárias para preencher a tabela de LOD utilizada no projeto.  

É possível definir diferentes tipos de LOD’s para diferentes elementos em um mesmo projeto. Isso permite que o usuário visualize em um mesmo momento elementos com níveis de desenvolvimento diferentes.  

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Imagem 4 – Exemplo de projeto com vários LOD’s. | Fonte: Pratical BIM.

Benefícios do LOD 

Num projeto BIM, os elementos modelados possuem cada um seu próprio LOD e somente uma parte muito pequena das informações são padronizadas. Assim, se faz necessário a definição de como os vários LOD’s serão desenvolvidos e como cada um é registrado e empregado durante o fluxo de trabalho. 

Além das informações gráficas e não gráficas sobre os elementos e sistemas construtivos, deve-se levar em consideração informações extras, como: 

  • As pessoas que estarão envolvidas; 
  • Quando os serviços devem ser feitos; 
  • Os prazos; 
  • A forma do produto a ser entregue. 

Cada nível de desenvolvimento requer um conhecimento específico, por isso, cada profissional envolvido no planejamento e execução de uma obra pode entrar com o seu trabalho no momento certo. Todas estas informações inseridas ficam reunidas num arquivo principal, podendo ser reaproveitadas e aprofundadas na próxima etapa.

Informações adicionais

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Gabriela Nogueira

Engenharia Civil pela FAAP, técnica em Mecatrônica pelo Colégio São Judas Tadeu e especialista em Excelência Construtiva e Anomalias pela Universidade presbiteriana Mackenzie. Possui certificação Autodesk Professional Revit Architecture. Atua na FF Solutions como especialista técnica, com o objetivo de fomentar e melhorar o BIM no mercado brasileiro da Engenharia Civil, e é instrutora da BuildLab Academy.